Os sete passos para o sucesso profissional

Os sete passos para o sucesso profissional
Se você pensou em ler, não leia. Se você não quer ler, leia.

ossetepassosO trocadilho do subtítulo tem motivos. Se você gostou do título e pensou logo em ter uma listinha de passos a seguir para ter sucesso, este artigo não é pra você porque certamente procura soluções fáceis e superficiais e – preciso te dizer: elas não existem. Recorra a sua memória: quantos artigos e livros você já leu sobre isso? Talvez tenha até participado de algum curso. O que mudou? Nada!

Mas, sou capaz de apostar pra valer, que nas reuniões de trabalho, happy hour e até em eventos sociais repete: “Nossa, este cara (escritor) é o máximo. Nossa, ela (escritora) fala isso e aquilo. Muito legal!” Ahã. Mas, na prática… nada mudou, né?

Por outro lado, se você é daqueles que não se interessou em ler, possivelmente está cansado do domínio da autoajuda, né? Enquanto isso depende da escolha pessoal, tudo bem. Basta você não escolher o “caminho fácil que não leva a lugar nenhum”. Difícil é quando alguém na empresa tem um certo comodismo cognitivo (popularmente conhecido como preguiça de pensar) e impõe estes cursos ou leituras pra todo mundo. E este é exatamente o ponto deste artigo. Os 7 Passos, os 10 fatores, enfim, as mil listinhas que estão por aí, nivelam por baixo.

Os discursos que se ouve nas empresas é que as pessoas precisam agir com autonomia, reagir rapidamente em situações não previstas, pensar fora da caixa e inovar, mas, na hora de capacitar as pessoas o que se vê é adestreinamento ou autoajuda.
Mas, o objetivo deste artigo não é a lamentação. A ideia é pensar um pouco sobre estas listinhas. Por que atraem tanta gente e por que não funcionam? A primeira resposta é simples. Todos, eu digo todos mesmo, gostaríamos de soluções simples, rápidas e sem esforço, por isso a autoajuda atrai tanto. É quase como dizer: emagreça sem fazer esforço. Continue comendo tudo o que quiser, não faça exercício e ainda emagreça. A gente sabe que se mantivermos tudo como está não podemos mudar o resultado. Mas, insistimos em acreditar porque somos acomodados. Você pode dizer: mas as listinhas propõem mudanças. Por que não funcionam? Eu respondo: porque propõe mudança sem tomada de consciência. Se você não sabe porque age assim, como é que vai agir diferente?

Vamos lá! Sendo mais específica: O primeiro passo é: “Seja proativx”. Perfeito. Mas…você sabe por que não tem sido pró-ativx? Você pode ter boas ideias e iniciativas, mas é tímidx. Ou você simplesmente não é pró-ativx porque não tem o que dizer. Pode ser falta de repertório. Mas, ainda, pode ser que você tenha um vasto repertório e as ideias simplesmente não aparecem. Hum…pode ser falta de interesse, então! E seja qual for a reposta, ela traz consigo outras perguntas. Por exemplo: O caso é de timidez. Mas, a timidez é uma característica pessoal ou é fruto de algum trauma/constrangimento? E se for característica pessoal, você quer mudar? Você sempre foi tímido ou é algo que está acontecendo só nesta empresa? Se começou nessa empresa será que é porque a organização não é tolerante ao erro e aí acaba podando iniciativas? Ou ainda, pode ser algo específico do seu líder ou da área em que trabalha. Ou ainda mais singular: isso só acontece na sua relação com o seu líder – os demais funcionários da área não enfrentam o mesmo tipo de situação. O que também não quer dizer que isso seja um problema seu. Mas é algo que acontece na relação sua com seu líder. Tem a ver com os dois. Deu pra entender porque as listinhas não funcionam? Porque a realidade é complexa (e aqui faço uma referência à etimologia da palavra: com= junto, plectere =tecer, entrelaçado: tecido conjuntamente). É isso. O motivo para não ser pró-ativo tem várias origens e que estão tecidas entre si. Um curso, um livro, uma matéria que diga ao funcionário: “Primeiro passo: Seja pró-ativo”, só enche linguiça. É nada levando a lugar nenhum.
Então não tem jeito? Tem jeito. Mas, não tem atalho. A saída é aprender a pensar. Não só você. Sua organização. Pessoas que sabem pensar são mais autônomas, mais livres e criativas. Conseguem perceber melhor esta realidade complexa e agir conscientemente sobre ela. E para aprender a pensar também não tem receita. Passa pela aquisição de mais repertório. Mas, não é só isso. Por isso, nosso trabalho é 100% singular. Não tem listinha.

Ah, mas não posso terminar este artigo sem uma receita, né? Então lá vai: pegue todas as listinhas que estiver em seu poder, junte-as e dirija-se rapidamente ao coletor reciclável mais próximo. Deposite-as lá.

Em tempo: “x” nas palavras pode ser substituído por “a” ou “o”. A flexão de gênero fica por conta do leitor, ok?

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