Problemas Ortodoxos… Soluções Heterodoxas…

Pedro é um excelente engenheiro que um dia, de saco cheio, mandou o emprego às favas e montou um restaurante por quilo. A “pegada” do seu restaurante está na qualidade e sofisticação dos ingredientes que utiliza e na relação custo/benefício. Pedro planejou trabalhar com margens baixas e giro alto. Está estratégia em 2014 funcionou plenamente.  Em 2015, com a crise, Pedro teve os custos diretos e indiretos aumentados sobremaneira. Água, luz, feijão, carne, batata, produtos importados e assim por diante. No geral, os custos aumentaram 45% consumindo toda sua margem e gerando um resultado operacional negativo. Pedro fez uma pesquisa estruturada com seus clientes e constatou que não há muito espaço para aumento. O máximo que ele consegue passar de aumento, sem perder clientes, é 10%. Mais do que isso, o restaurante perderá seu movimento iniciando um ciclo vicioso e de fim do negócio.  Preocupado com o futuro, Pedro contratou uma consultoria ortodoxa que apresentou quatro alternativas:

c11ª Reajuste: Repassar aos consumidores uma parte do aumento de preço que teve, após renegociar com fornecedores (que estão na mesma situação), procurando diminuir custos operacionais e diminuir sua margem;

2ª Qualidade: Manter o preço procurando substituir os produtos com ajustes mais elevados por outros produtos de qualidade inferior e mais baratos. Diminuir os custos operacionais possíveis;

3ª Nem lá, nem cá: Fazer um meio termo entre a primeira e a segunda alternativa.

4ª Renunciar: Fechar e/ou vender o restaurante.

Basicamente o campo ortodoxo da administração, salvo algumas rebuscadas e contíguas soluções, sempre apresentará como alternativas, essas quatro formas possíveis de resolver o problema de Pedro. Na verdade essas soluções descaracterizam o negócio que  Pedro criou e gosta de cuidar. Adotando qualquer uma das alternativas, Pedro não seria mais o mesmo e nem o seu negócio.

Antes de tomar uma decisão, Pedro conversou com uma consultoria heterodoxa que o fez ver outras alternativas. Partindo do pressuposto que Pedro quer continuar com o negócio imaginado anteriormente – e que o faz feliz – a consultoria iniciou o processo de revisão do “Para Quê” o restaurante existe, descobrindo as suas razões e seu propósito na comunidade. Desdobrando esse questionamento, caminhou para definir “Para Quem” o restaurante existe, identificando o público com mais precisão. “Qual o negócio” que o restaurante está?  “Alimentação de pessoas” ou  “experiências gastronômicas”? Parece um jogo de palavras, mas não é.  Além disso, discutiu os diferenciais e o posicionamento estratégico.

A partir dessas definições, ficou mais fácil encontrar alternativas cocriadas por todas as pessoas do restaurante (sócios e colaboradores) e fora do restaurante (fornecedores, consumidores, comunidade, imprensa etc). O primeiro passo foi combinar os talentos de uma chef de cozinha, uma nutricionista e um especialista em precificação.

c2Novos parâmetros foram definidos com base no que os clientes esperam ter de uma experiência gastronômica, com produtos de qualidade e preço justo, além de um atendimento singular. A partir desse trinômio: Qualidade – Inovação – Custo, foram desenvolvidas receitas e escolhidos produtos que atendiam plenamente essas premissas e entregavam resultados de margem.

Essa visão sistêmica possibilitou, além da criação de pratos inusitados, uma administração consciente dos insumos não utilizados que, todos os dias foram destinados para projetos de alimentação de crianças em creches.

A “pegada” estratégica agora era fornecer todos os dias experiências gastronômicas inusitadas com atendimento singular, com produtos diferentes e politicamente corretos (sem agrotóxico, sem trabalho escravo etc) e ainda por cima com uma causa ligada à alimentação saudável de crianças de creche. Esses novos paradigmas fizeram o restaurante do Pedro crescer;  a continuar dando excelentes resultados. Agora o caminho é transformar o seu restaurante em legado e não em herança, por meio da manutenção da reputação ética e inspiradora.

Conclusão: Todos os problemas organizacionais tem um viés ortodoxo importante. A solução tem que ser por meio do pensamento sistêmico e heterodoxo.

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